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O QUE PASSA NA CABEÇA DE UM ANSIOSO DURANTE UMA CRISE – I

Essa é a terceira crise de pânico que tenho na semana. Há dois dias tive um surto tão foda que precisei ir para o hospital, mas lá é quase sempre a mesma coisa. Ninguém entende ou acham que me colocar pra dormir vai fazer a dor passar.

“10 mg de diazepam e toda essa ‘besteira’ vai embora”. “Talvez você devesse ir pra igreja”.

Eu não consigo chorar por mais que minha vontade seja de me derreter em lágrimas. Eu não sinto nada. Olho ao meu redor e não vejo motivos pra continuar lutando, e mesmo assim – não sei porquê – todos os dias eu peço pra Deus não me deixar desistir de algo que, no fundo, eu nem sei o que é.

Eu vejo pessoas felizes e me questiono quando vai chegar a minha vez. Quando meu peito vai parar de acelerar e me deixar sem ar? Quando eu vou poder viver o agora sem medo do depois? Eu só queria chorar, mas…

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Eu coloquei uma música bem triste pra tocar, mas nem assim. Acho que eu já senti tanta dor que agora não sinto nada. Já chorei tanto que sequei. Como foi que eu fiquei assim? Será que realmente é falta de Deus? Será que ele me esqueceu? Será que eu sou uma pessoa ruim? Eu não me lembro de ter sido tão má pra merecer isso.

Eu fiz uma lista na minha cabeça de todas as pessoas que eu amo. Elas são muito importantes pra mim. Seria muito triste viver longe delas.

Agora eu estou pensando nas contas que eu preciso pagar. Será que o dinheiro vai dar?

Eu lembrei do meu cachorro brincando e abanando o rabo pra mim. Acho que ele me ama. Ele demonstra bem. Às vezes, quando estou triste, ele me conforta.

Será que eu corto o cabelo ou pinto? Acho que mudar faz bem. Talvez uma tatuagem nova… sei lá. Preciso mudar algo.

Meu coração tá mais acelerado, será que devo me preocupar? Não… sempre é assim.

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Tá tudo bem, você não vai morrer. É só mais uma crise de ansiedade. Vai passar! Sempre passa.

Eu coloquei um filme pra assistir, mas no filme alguém morreu. Agora estou preocupada com a possível hipótese de acontecer o mesmo comigo.

“Meu Deus, para de ser louca: você não vai morrer. Você só tem 25 anos”… Mas eu ouvi em algum lugar alguém dizendo que alguns jovens também morrem.

Será que minha pressão está normal? Acho bom medir. Mas, e se estiver alta ou baixa, o que eu faço? Talvez seja melhor tomar um remédio e dormir. Quando estou dormindo as coisas não doem.

Eu tinha que trabalhar, mas eu só queria ficar deitada. Será que eu sou preguiçosa demais? Eu nem sequer limpei meu quarto. Sou uma vergonha. Eu tinha que ir fazer uma caminhada ou comer coisas mais saudáveis pra melhorar minha saúde, mas amanhã eu faço.

Entenda o que e a ansiedade clicando aqui

Talvez se eu contar de trás pra frente alguns números aleatórios, minha mente mude o foco. Meu psicólogo disse pra eu anotar o que estou pensando, mas no que estou pensando?

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Calma! Para de pensar. Medita. Respira certo, cassete.

É só mais uma crise de ansiedade que vai durar alguns minutos que parecerão horas, mas não é. Seu coração vai desacelerar sozinho e tudo vai voltar ao normal. Você vai conseguir chorar de novo, vai se sentir feliz, vai sentir que tudo foi uma grande bobagem e que todas aquelas dores só te fizeram mais forte. Você sempre foi forte!

Agora você vai conseguir dormir tranquila, com a sensação de que tudo nessa vida passa… inclusive sua ansiedade.

Saiba como superar o medo e a ansiedade clicando aqui.

2 comentários

  1. Como vai?
    Nunca pensei que sofreria de ataques de pânico. Sou psicólogo e um eterno otimista. Mas uma série de eventos estressantes provou que estava errado. Começou há três anos e sofri muito até entrar em remissão. Foram anos de terapia, mas hoje não sofro de um ataque há muitos meses.

    Ataques de pânico geralmente são bizarros. O corpo entra no piloto automático e, por mais que você tente se convencer do contrário, aquela sensação de morte toma conta. É um eterno jogo de “serás” que nunca encontram solução. “Será que estou infartando?”, “Será que vou desmaiar?”, “Será que é um ataque de pânico mesmo?”. Para cada pergunta sem resposta há um acréscimo na sensação descontrole. Então, de maneira tão estranha como começou, vai embora como uma tempestade. Você olha aquele rastro de destruição psicológica e se pergunta “Mas que merda foi essa?”. E se sente um lixo. Sente que não está mais no volante da sua vida. Que é refém dos seus próprios medos. Sair desse turbilhão é a parte mais difícil. Os medos e as tristezas machucam mais que os ataques. Mas é possível!

    Muita gente, como eu e você, passaram, passam ou passarão por isso em suas vidas. A verdade é que por mais escuro e confuso sejam esses momentos da existência, eles sempre melhoram. Com o tempo vamos aprendendo com nosso próprio corpo. Sentindo nossos limites e nossas forças. Tudo isso permite quebrar (aos poucos) essas berreiras mentais.

    O importante é buscar ajuda. Mas o essencial é aceitar-se.

    Sempre que quiser conversar. Estou aí.

    Abraços e força

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